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Discos admin em 26 Mai 2008
‘El Viaje: 1966 - 1975′, a garagem sulamericana
* Fernando Rosa
A coletânea ‘El Viaje - 1966 - 1974′, dos peruanos Los York’s, editada pelo selo Munster Records, em formato duplo-LP e CD, é mais do que um resgate histórico de uma das mais importantes bandas do rock sulamericano. A obra, que traz 21 canções da carreira da banda natural de Lima, superou o tempo para alinhar-se aos clássicos internacionais de sua época, como Standells, Motions ou Mockers.
As músicas foram selecionadas por Rafael Hurtado de Mendoza, de um repertório de 4 LPs e 25 singles, lançados entre 1966 e 1974, destacando-se clássicos como ‘Mira Tu’, ‘Abrazáme’ e ‘Solo Estoy’. Em digipack, a luxuosa e cuidadosa edição ainda traz um encarte com a história da banda, em texto assinado por Artur Vigil, fundador dos fanzinez Sotano Beat e Only Sixties.
Los Yorks é uma das bandas mais importantes da história do rock peruano, ao lado de Los Saicos e Los Shains. Inicialmente mais voltada para o beat, Los York’s chegou a gravar covers da Jovem Guarda brasileira, como ‘Vete al Infierno’, ou ‘Quero que Vá Tudo Pro Inferno’, de Roberto Carlos. Mas, suas versões já sinalizavam a definição garageira que acentuou-se com a chegada da psicodelia.
Um dos destaques da banda era a fuzz-guitar de Walter Paz que, segundo os organizadores da coletânea, “pode ser uma verdadeira descoberta para fãs de Pete Townsend ou Sterling Morrison”. Além dele, talvez o maior trunfo dos Yorks era seu vocalista, Pablo Luna, uma espécie de mix de Iggy Pop com Reg Presley, que marcou a história da banda e do rock local.
‘El Viaje …’ é um achado para quem conhecia apenas a música ‘Mira Tu’, do álbum, ainda en vinil, ‘Exploiting Plastic Inevitable’, que trazia raridades da garagem mundial. Ainda vale destacar o tratamento editorial dado a obra, completamente diferente da maioria das coletâneas nacionais, que mais vandalizam a obra de artistas do que valorizam sua importância. Uma obra que merece integrar a discoteca dos fãs de garagem e do rock sulamericano, em especial.
* Fernando Rosa é editor de Senhor F e produtor e apresentador do programa Senhor F Sem Fronteira, na Rádio Câmara, voltado para o rock sulamericano.
Discos admin em 17 Mar 2008
Estadão: Novo álbum de Andrés Calamaro tem ingredientes brasileiros
O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta segunda-feira resenha do último disco do argentino Andrés Calamaro, ‘La Lengua Popular´, lançado no Brasil no segundo semestre do ano passado. “Antes de tudo, é um álbum feito de canções redondas, com melodias que grudam e letras inspiradas e bem construídas”, escreve Lauro Lisboa Garcia, que assina o texto. Abaixo a íntegra da resenha, divulgada pela Agência Estado. (Da Redação)
São Paulo, 16 (AE) - O álbum mais recente de Andrés Calamaro, “La Lengua Popular” (Warner), tem vários ingredientes propícios a agradar ao paladar brasileiro. Não apenas porque tem o carnaval e outros elementos de referência em duas faixas (”Carnaval de Brasil” e “Comedor Piquetero”). É um bom trunfo para derrubar mais um tijolo do inexplicável bloqueio que a música em língua espanhola sofre no País.
Antes de tudo, é um álbum feito de canções redondas, com melodias que grudam e letras inspiradas e bem construídas. A produção de Cachorro López é impecável. Co-autor de algumas faixas, ele também toca baixo, guitarra e fez as programações eletrônicas. Calamaro está em grande forma como cantor, na guitarra e outros instrumentos. Enfim, tem atrativos de sobra.
De longa e fértil carreira, desde os anos 80, Calamaro, de 46 anos, teve outro CD lançado aqui recentemente, o bom “Tinta Roja”, em que dava sua visão peculiar sobre o tango tradicional. “La Lengua Popular” não só mantém, como aumenta o nível de interesse. Só que a linguagem agora é mais diversificada, com forte acento de rock, mas também com elementos de cumbia, reggae, ska, bolero, folk dylanesco.
O álbum abre com um rock contundente, “Los Chicos”, de letra compatível: “Muitos amigos se foram antes de mim/ E me deixaram só/ Por isso se no inverno faz frio/ Também desço ao inferno um pouco.” Se derrama romantismo no bolero Cada Una de Tus Cosas (em que introduz ao piano o tema de Nino Rota para o filme “Romeu e Julieta”, de Franco Zeffirelli), ele destila ironia e senso crítico em outras, como “Mi Cobain” (Superjoint), que fecha o CD. Em “La Mitad del Amor”, uma das melhores faixas, Calamaro engata no rock acelerado, a dizer que parte dele não mudou, mas também já não é “o velho Andrés que nunca dormia”. Otimista, o poeta do rock argentino realiza outro de seus grandes álbuns.
* Agência Estado/Lauro Lisboa Garcia
Discos admin em 10 Mar 2008
‘Tango que me hiciste mal’, clássico uruguaio pós-ditadura
* Fernando Rosa
“La puerta cerrada de mi cuarto/ a mi alrededor la oscuridad/ sin saber por qué estoy gritando/ tengo muchas ganas de gritar”. Assim cantavam Los Estomagos na música ‘Gritar’, que abre o disco ‘Tango Que Hiciste Mal’, uma das obras emblemáticas do rock uruguaio, denunciado o clima daquele período. Lançado em 1985, com sonoridade pós-punk, minimalista e com letras diretas, o disco inaugurou o rock pós-ditadura no Uruguai.
Los Estomagos surgiu em 1983, refletindo a situação do país, e dando voz a uma geração submetida a repressão e a falta de perspectivas sociais. Com o agravante de suceder uma geração “abortada” (dos anos 60 & 70) e confrontar-se com uma linguaguem “nacionalista” que ainda considerava o rock uma forma de expressão imperialista. Junto com Los Estomagos, destacaram-ase ainda, naquela metade de década, as bandas Los Traidores, responsável por outro disco clássico - ‘Montevideo Agoniza’ - e Los Tontos.
Primeiro disco de Los Estomagos, e já reeditado em CD, ‘Tango Que Me Hiciste Mal’ é um trabalho superior ao apresentado pela bandas nos três discos posteriores - ‘La Lei Es Otra’ (1986), ‘Los Estomagos’ (1987) e ‘No Habrá Condenado Que Aguante’ (1988). São onze canções, com pegada punk, instrumental mesclado entre new wave e sonoridades quase eletrônicas, que tratam de temas do cotidiano daquele momento da vida da juventude uruguai, como a faixa título, ‘Torturador’ e ‘Fuera de Control’.
‘Tango Que Me Hiciste Mal’ é um disco cultuado pelas gerações posteriores, fato evidenciado no tributo ‘Extrañas Visiones: Las Canciones de Los Estomagos’, lançado em 1996, com participação de bandas como Supersonicos, La Trampa e dos contemporâneos Los Traidores, entre outros. Com o fim da banda, Gabriel Peluffo e Gustavo Parodi formaram o grupo Buitres, em atividade, enquanto Fabián “Hueso” Hernández montou o Gallos Humanos, rebatizado de 4 Golpes. Gustavo Mariott era o quarto integrante.
* Fernando Rosa é editor de Senhor F.