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Artigos admin em 03 Jun 2008

Assassinato de Victor Jara tem processo reaberto no Chile

* Fernando Rosa

A investigação sobre a morte do cantor e compositor chileno Victor Jara foi reaberta por determinação judicial. A decisão de reabrir o processo foi do juiz Juan Eduardo Fuente, a pedido do advogado Nelson Caucoto, representante da viúva de Jara, Joan Jara. Vitor Jara foi assassinado durante o golpe de Pinochet, no Estádio do Chile, em 15 de setembro de 1973.

A decisão do juiz baseia-se na inconformidade da viúva do cantor e compositor com o resultado do processo, encerrado no último dia 15 de maio, que culpou apenas o coronel do Exército Mario Vázquez Bravo pelo crime. Segundo o advogado, havia outras pessoas envolvidas no assassinato e mais de cem diligências pendentes no caso, entre elas de pessoas presentes no momento do assassinato de Vitor Jara.

Filho de camponeses, e militante comunista, Vitor Jara “tornou-se referência internacional da canção revolucionária”, segundo sua biografia na enciclopédia Wikipedia. Jara gravou e editou sua obra musical e poética desde o início dos anos sessenta, caracterizando-se como um cantor de intervenção social. O reconhecimento de seu assassinato só ocorreu em 1990, por decisão da Comissão da Verdade e Reconciliação.

Ainda segundo a Wikipedia, Jara teve “cortadas as mãos como parte do “castigo” dos militares ao labor artístico e de conscientização social naqueles anos de insubornável compromisso com os sectores mais desfavorecidos do povo chileno, como militante do Partido Comunista”. Em sua homenagem, trinta anos após o Golpe Militar, em 2003, o Estádio Nacional foi rebatizado com o nome de Victor Jara.

* Fernando Rosa é editor de Senhor F.

Artigos admin em 25 Mai 2008

A falência do “padrão Miami” e as novas conexões da integração regional

* Fernando Rosa

O programa “Senhor F Sem Fronteira”, na Rádio Câmara, além do prazer e da satisfação de poder divulgar a música sulamericana, tem propiciado alguns ensinamentos interessantes. Um deles, e talvez o principal, é a compreensão mais profunda do processo de alienação cultural a que somos submetidos no país. É incrível o peso de uma barreira que soma restrições estéticas, ideológicas, econômicas e sociais, resultado das relações geopolíticas regionais e mundiais. Na verdade, sempre soube isso, mas um contato semanal com esse universo deixou essa realidade mais evidente.

Até os anos sessenta, e um pouco dos setenta, os brasileiros ainda ouviram música “direto da fonte”, como a guarânia (essa até meio “aportuguesada”), o tango, o bolero e até um pouco de rock. Digo “na fonte”, porque a partir dos anos oitenta, com o monopólio absoluto das grandes gravadoras, passamos a conviver com a ditadura do “padrão Miami”. Ou seja, desde então, tudo que chegou ao ouvido brasileiro em língua espanhola foi Menudo, Rick Martin, Julio Iglesias, Rebelde e outros lixos culturais. Daí, é até natural um certo ranço do ouvinte brasileiro com o “rock” espanhol.

O que ainda se observa é o isolamento cultural entre o Brasil e o restante da América do Sul, por vezes denotando um questionável sentimento de “superioridade” cultural. Recentemente, Andres Calamaro (quem?) teve seu último disco lançado, e solenemente ignorado, no Brasil - exceto por matérias de Senhor F e Estadão. Argentino, Calamaro é um dos artistas mais importantes em língua espanhola, e seu disco é cheio de referências ao Brasil. Outros artistas também cruzam o mundo, lotam teatros na Europa, no México, mas seguem desconhecidos no país.

Esse fato, sem precisar recorrer ao presidente Hugo Chavez, também se verifica nas coberturas internacionais da grande mídia que reproduz o mesmo “padrão Miami” – ou, no caso, seria Washington?. É a velha herança colonial de ver o mundo, inclusive musicalmente, pelos olhos do império, seja o português, o inglês ou, mais recentemente, o americano. A falência da grande indústria e o advento da internet abriram novos caminhos de comunicação para os povos sul-americanos. A cena independente percebeu isso e busca essas novas conexões, para o que é importante o apoio e o incentivos dos poderes públicos.

* Fernando Rosa é editor de Senhor F e produz e apresenta o programa Senhor F Sem Fronteira, na Rádio Câmara.

Artigos admin em 21 Abr 2008

Andres Calamaro, um herói de dois mundos

* Fernando Rosa

Andrés Calamaro é um dos músicos mais importantes da Argentina, mas por aqui pouco, ou mesmo nada, se sabe dele. Aliás, um fato normal em se tratando das relações musicais com os países da América do Sul, desde muito tempo. Uma situação que, por vezes, prega peças, como a surpreendente apresentação dos uruguaios Los Supersónicos no Porão do Rock, o melhor show do festival.

El Salmon, com é também conhecido, Calamaro é um “songwriter” de mão cheia, um trovador apaixonado, um poeta capaz de emocionar uma multidão em um estádio de futebol. Mas, ao mesmo tempo, é dono de uma postura artística, existencial e, mesmo, política distante do apodrecido universo “mainstream”. Algo que, por aqui, já tivemos nos anos setenta e oitenta, mas que a lógica mercadológica e o acovardamento de muita gente, parece ter matado.

Andrés Calamaro começou a carreira tocando teclados na banda Los Abuelos de la Nada, em meados dos oitenta. Em seguida, desenvolveu carreira solo, estreando com Hotel Calamaro, em 1984, co-produzido por Charly Garcia. Em 1989, com a hiperinflação tomando conta da economia argentina, lança Nadie Sale Vivo de Aqui. Mal recebido por crítica e público, o disco é considerado hoje um dos discos fundamentais do rock argentino.

Nos anos noventa, vai para a Espanha, onde contrói uma carreira brilhante, junto ao Los Rodriguez, formado por ex-integrantes do grupo local Tequila, Julián Infante e Ariel Roth, e o baterista Germán Vilella. Até 1996, Los Rodriguez grava diversos compactos, ainda em vinil, e três álbuns, com vários “hits”, entre eles o clássico Sin Documentos. Com o fim da banda, Calamaro retorna para a Argentina, onde investe novamente em sua carreira solo.

Em 1997, lança Alta Suciedad, saudado com grande entusiasmo pela crítica musical e, especialmente, pelo público. Com uma capa em homenagem a Bob Dylan, o disco contém algumas de suas mais belas canções, como Crimenes Perfectos e Elvis Esta Vivo. Em 2001, outra vez com a Argentina mergulhada na crise econômica, a gravadora – WEA Internacional – banca o lançamento de um álbum quíntuplo, El Salmon. O álbum reúne 103 registros autorais e alguns covers.

Mais recentemente, lançou um disco com tangos clássicos e outros com canções populares da Argentina, especialmente. Em sua discografia também merecem grande destaque dois discos com registros raros e inéditos de várias épocas, batizado de Grabaciones Encontradas Volumen 1 y 2. Neste ano, El Salmon ganhou um disco tributo em sua homenagem, com participação dos músicos mais importantes da Argentina.

Discografia sugerida

Nadie Sale Vivo de Aqui (1989)
Hasta Luego – com Los Rodriguez (1991)
Caballos Salvajes – trilha do filme (1995)
Alta Suciedad (1997)
El Salmon (2001)
Grabaciones Encontradas Volumen 1 y 2 (várias épocas)

Site Oficial
http://www.calamaro.com

Para ver
Andrés Calamaro - Crimenes Perfectos (ao vivo na Argentina, em 2005)
Andrés Calamaro - Sin Documentos (ao vivo)
Andrés Calamaro - Mi Enfermedad (ao vivo em Madri, em 2005)
Andrés Calamaro - Elvis Está Vivo (ao vivo em Madri, em 1999)

Artigos admin em 04 Mar 2008

1968: el año de la invención de la cumbia peruana

En 1968 Los Destellos publicaron su primer LP y fundaron así la llamada cumbia peruana*, una mezcla bien proporcionada de cumbia, psicodelia, huayno y muchas cosas más.

La receta exacta se la llevó a su última morada Enrique, director musical del grupo y la única persona que podría detallar los ingredientes de una mixtura que parece bolseada del pantalón tonero del mismísimo Satanás bailador.

La aceptación del nuevo sonido fue inmediata y se convirtió en el aliciente que toda una generación de músicos dedicados al género tropical necesitaba para salir a la luz. Estos nuevos grupos enriquecieron el tono de voz original con acentos selváticos y de todas las regiones del país, y así llegó convertido a nuestros días en, quizá, el único consenso nacional.

Ya que este 2008 encuentra a la onda tropical peruana casi alejada de sus raíces rockeras (y con varios grupos deleznables) y convertida en toda una riquísima industria disputada por mafias musicales, los miembros de la Columna preferimos desempolvar a los clásicos de la cumbia-beat (nuestra preferida) y nos alistamos a revivir los tonos en el Majestic y el Paseo Colón, con Los Diablos Rojos, Los Ecos, Los Orientales de Paramonga, Los Mirlos, Juaneco & su Combo, y con los posteriores Celeste, Los Titanes, Los Ilusionistas, Grupo Naranja, entre tantos otros; y momentáneamente nos sacamos las botitas beat mientras sentados sacamos brillo a nuestros makarios chillantitos, esperando ver si alguna de las autoridades que rigen la llamada “cultura oficial del país”, le rinden el homenaje que se merece a los imperecederos Los Destellos. Lo justo.

LOS DESTELLOS

Fan de la música criolla durante su adolescencia, Enrique Delgado Montes persiguió a las estrellas del vals por las radios limeñas para verlas actuar en vivo. Convertido en guitarrista profesional luego de su paso por el Conservatorio, Enrique llegó a acompañar a diferentes conjuntos criollos y folclóricos en sus grabaciones; además de participar en la orquesta del mítico Eulogio Molina y en la de Enrique Lynch, con quienes recorrió todos los géneros de moda y aprendió los secretos del oficio. También fundó Los Embajadorcitos Criollos, su grupo de jarana criolla.

Convertido en fan de los Beatles y la nueva ola a mediados de los 60, una leyenda urbana cuenta que trató de participar, sin éxito, en la banda de rock limeña The Black Boys (1965), más adelante renombrada como Los Cuervos.

Posteriormente editó tres discos de 45 R.P.M., bajo el nombre de Los Destellos: uno de corte criollo y los otros con tendencia a la nueva ola. Tras aquella etapa experimental y ya cumplidos los 30 años, Enrique parecía tener una idea bien esbozada del sonido que quería lograr. Eran inicios del 68 y buscaba el personal idóneo para realizarlo.

Enrique conocía a Humberto “Tito” Caycho Alcántara de esas correrías adolescentes por las radios. Los padres de Caycho poseían una chacra en lo que hoy es Los Olivos, y Tito tocaba la guitarra con una maestría que Enrique admiraba. Ese año lo llamó y le dijo: Tito, hemos pensado en ti porque vamos a formar un conjunto tropical… con guitarra eléctrica. Tito (quien en el futuro sería uno de los compositores más exitosos de la cumbia peruana) aceptó poco entusiasmado.

Carlos Ramírez era un viejo amigo de Enrique, y estuvo involucrado en el proyecto casi desde el inicio. Era un trabajador estatal que venía de tocar en varias bandas militares y tocaba la percusión de la cumbia como si fuera banda de nuevaola.

Iempsa-Odeón sacó a la luz un primer 45 R.P.M. que demostró la solidez del proyecto. Tito Caycho tocaba la segunda y Enrique ya usaba esa guitarra eléctrica de 12 cuerdas que encargó a elaborar a Falcón, y que daba ese tono característico a sus creaciones. Pero Enrique seguía buscando.

Por esos días Fernando Quiroz se hallaba desocupado luego de la disolución de su banda Los Zany´s, y aceptó la invitación de Federico Laya Marí, periodista de Caretas, para ir a conocer a Enrique a su casa del Rímac. A medida que se acercaban y escuchaban el sonido de la música tropical, Fernando medio que se arrepentía. Usaba el pelo largo, jeans boca ancha, estudiaba música por su cuenta y se consideraba a sí mismo un rockero. Fernando se despachó con Wipe out y canciones de Los Zany´s para mostrar sus habilidades. Enrique no le preguntó nada a él, pero sí a sus músicos: “¿Queda?”. Al unísono Tito y Carlos respondieron: “¡Queda!”. No fue hasta la semana siguiente cuando tocaron en el Club de La Unión y Fernando vio la maestría con la guitarra de Enrique Delgado, que aceptó ser parte de Los Destellos. El grupo estaba completo.

COMO LA CHISPA A LA GASOLINA

Ese año mágico, Iempsa-Odeón terminó las grabaciones del primer LP. Fernando añadió ese demencial punteo al final de Guajira sicodélica e hizo de segunda guitarra de allí para adelante; Tito pasó al bajo. Además, en las grabaciones y actuaciones en vivo, se añadieron un par de músicos extras para la “carpintería”, que era como ellos llamaban a la percusión.

De allí para adelante la autoría y arreglos de los temas serían mayoritariamente de Enrique Delgado, aunque todos aportaron brotes de creación sin egoísmo. En los próximos cuatro años grabaron siete detonantes elepés. No sólo recorrieron el Perú varias veces dando conciertos, sino también todos los paraísos que la fama trajo consigo, mientras decenas de conjuntos aparecían a su alrededor siguiendo la fórmula que Enrique había ideado y la banda plasmado.

Con el paso del tiempo, Tito Caycho se convirtió en una de las pocas personas que posee el título de compositor vitalicio de la APDAYC, reconocimiento dado por la venta de sus canciones en el extranjero. Fernando Quiroz fundó otras bandas de cumbia y dejó en claro su condición de gran guitarrista y compositor. Carlos Ramírez, enigmático y sugestivo integrante a quien no se le ubica en paraderos conocidos, entró y salió varias veces del conjunto.

Para 1996, año en que Enrique fallece, el sonido tropical peruano continuaba en crecimiento; situación que continúa hasta nuestros días. Y todo comenzó hace 40 años.

*O más exactamente música tropical peruana; pero de ninguna manera “chicha”, que es la manera como a principios de los 80 era llamada despectivamente por músicos que se consideraban “profesionales”; el término es rechazado por consagrados músicos como Tito Caycho, Fernando Quiroz y Marino Valencia. Algunos ensayistas insisten en que la palabra chicha proviene de la La chichera, una exitosa guaracha de mediados de los 60, pero la relación es casi nula. Más detalles en nuestro fanzine Sótano Beat N° 8, de pronta publicación.

* Artigo origialmente publicado na “Columna Beat”, do blog peruano “Sotano Beat”, gentilmente enviado por Paul Hurtado, desde a Espanha. Veja o link original, onde além de fotos inéditas e raras, podem ser ouvidas músicas do disco comentado.

Artigos admin em 30 Dez 2007

Origem e história do rock na América Latina

* Litto Arbex/Fernando Rosa

A história do rock sulamericano não difere muito da registrada nas demais partes do mundo, apesar de ter suas particularidades e curiosidades, a começar pela suas primeiras e principais influências. A primeira delas deve-se ao fato da totalidade de seus países, exceto o Brasil, falar espanhol, o que fez com o rock mexicano tivesse um peso inicial maior em sua formação.

Outras diferenças estão no campo social e político, especialmente, por conta das sucessivas ditaduras e golpes militares que se abateram sobre o continente sulamericano nas décadas de sessenta e setenta, com reflexos sobre as manifestações culturais em geral e sobre o rock em particular, resultando em repressão, censura e, mesmo, perseguição aos músicos.

Nascido nos Estados Unidos, o rock dos anos cinqüenta foi “traduzido” do outro lado da fronteira, por grupos como Los Teens Tops, Los Locos del Ritmo, Los Holigans e Los Ovnis, entre outros. O mais importante e influente deles foi Los Teen Tops, criado em 1959, e que manteve-se na ativa até 1962, gravando principalmente versões em espanhol de clássicos do rock and roll tradicional.

Antes disco, a também mexicana Gloria Rios gravou ‘El Relojito’, em 1956, enquanto no Peru, Los Millonarios del Jazz lançavam ‘Rock With Us (Rock’n'Roll)’ um ano depois. No Brasil, Nora Ney, antes ainda, em 1955, também fez seu cover para ‘Rock Around The Clock’, considerado o primeiro rock gravado no país. Ainda entre os pionerisos está o argentino Billy Cafaro, com ‘Marcianita’. Já no Chile, Peter Rock imitava Elvis Presley país afora.

A história o rock argentino é uma das mais interessantes de todos os países da América Latina, especialmente pelo fato de afirmar-se, desde o início, com formato musical próprio e letras em espanhol, desenvolvido especialmente pelos grupos Los Gatos (antes Los Gatos Salvajes), Manal e Almendra – uma espécie de pilar estrutural do rock argentino.

Apesar de Mr. Roll Y Sus Rockers e Billy Cafaro, entre outros, terem introduzido o novo gênero musical no país ainda nos anos cinqüenta, as primeiras manifestações gravadas com características sessentistas só ocorreram em 1965, com o lançamento de ‘Los Gatos Salvajes’, com os próprios, de ‘Liverpool At B.A.’, com The Seasons, e, ainda, um ano depois, de ‘Rebelde/No finjás Más’, compacto com o grupo Los Beatniks.

A partir de então, em novos compactos, em shows de televisão e, especialmente, a partir da casa de espetáculos ‘La Cueva’, antes apenas dedicada ao jazz, os grupos de música beat foram conquistando espaço, até afirmar-se definitivamente com o lançamento do primeiro lp de Los Gatos, liderado por Litto Nebia, ‘Los Gatos’, em 1967, um dos clássicos da discografia roqueira latina.

Depois, em 1968, vieram Manal, na linha dos “power trio” de blues, também oriundo dos palcos da ‘La Cueva’, que gravou seu primeiro lp homônimo somente em 1970, Almendra, banda liderada por Luiz Alberto Spinetta, com sua música refinada, arranjos vocais elaborados e poética sensível e criativa, e, ainda, Vox Dei, autor do álbum ‘La Biblia’, clássico do som psicodélico/progressivo mundial.

Em 1969, é criado o selo ‘Mandioca Underground’, que lança um primeiro lp reunindo vários grupos e intérpretes, fortalecendo a divulgação mais ampla e dirigida da produção roqueira local, antes dificultada pelas pressões e preconceitos das grandes gravadoras, avessas ao experimentalismo dos novos grupos.

Além dos grupos já citados, outras bandas e intérpretes destacaram-se nos anos sessenta e início dos setenta, dentre eles Arco Iris, La Confradía de La Flor Solar, Billy Bond Y La Pesada Del Rock and Roll (que depois veio para o Brasil), Ramsés VII (Tanguito), Alma Y Vida, o ex-Beatniks Moris, El Reloj, Sacramento e Ricardo Soulé.

A história do rock uruguaio dos anos sessenta, por sua vez, está diretamente ligada ao grupo Los Shakers, dos irmãos Hugo (que, no Brasil, tocou com Tom Jobim e Milton Nascimento) e Osvaldo Fattoruso, que foi, ao lado do australiano Easybeats, um dos melhores representantes do estilo Beatles de toda a geração.

Nascido em 1964, o grupo contribuiu decisivamente para a afirmação de uma cena local, bem como para o desenvolvimento do rock em toda a América Latina. Com o single ‘Break It All)’/’More’, de Los Shakers, o rock uruguaio apontou um caminho de qualidade, criatividade e inventividade, além da mera cópia existente na maioria dos países.

Além dos Shakers, o grupo Los Mockers também destacou-se na história do rock uruguaio dos anos sessenta, cantando em inglês, e fazendo o gênero Rolling Stones, com composições próprias e alguns covers, com destaque para ‘Paint it Black’. Seu único disco, com alguns singles de bônus-track foi relançado em cd pelo selo americano Get Hip.

O rock uruguaio destacou-se, ainda, pela qualidade de seus grupos da fase psicodélica, que misturando elementos de hard rock e progressivo, produziu grupos como Genesis, Psiglo, Opus Alfa, Dias de Blues, Tótem, El Kinto e El Sindykato, autores de discos clássicos que conquistaram o reconhecimento mundial, alguns com reedição em cd.

Alguns grupos, especialmente Tótem, liderado por Rubén Rada - em atividade até hoje, produziram uma fantástica mistura de ritmos regionais, principalmente o camdombe, de origem negra, jazz e rock à la Carlos Santana, com um resultado sonoro ainda atual e que, posteriormente, serviu de exemplo para novos mix sonoros nos demais países sulamericanos.

Outros grupos e intérpretes que integraram a cena do rock uruguaio foram Los Bulldogs, liderados pelo cantor Kano, Los Delfines, Los Killers, Los Moonlights, Hojas e Dino, que deixaram vários lps e compactos gravados entre 1967 e 1973, ano em que o golpe militar interrompeu a carreira da maioria dos grupos, afastando grande parte dos músicos do país.

O rock uruguaio, entre outras coisas, também deu à discografia mundial do rock um de seus clássicos, o álbum ‘La Conferência Secreta del Toto’s Bar’, de Los Shakers, espécie de Sgt. Pepper’s latino americano, que figura nas listas dos grandes discos dos anos sessenta. Gravado em 1967, o disco só foi lançado um ano após, quando o grupo já havia encerrado sua carreira.

O rock chileno dos anos sessenta, dividido surgiu dividido entre entre la Nueva Ola e o rock tradicional, como em outros países, teve como seus expoentes os grupos Los Mac’s (que gravou uma espécie de ‘Their Satanic Majesties Request’ regional), Los Jockers, Los Vidrios Quebrados, Los High Bass/Los Jaivas e ainda, os ultrapsicodélicos Aguaturbia, que formaram a base do rock nacional.

A banda Los Jockers, com seu primeiro disco ‘En La Onda de Los Jockers’, inteiramente de covers radicais, que inclui ‘Wild Thing’ (Troggs), ‘Satisfaction’ (Rolling Stones) e ‘Little Girl’ (Them), gravado em 1966, junto com Los Vidrios Quebrados e seu lp Fictions, de 1967, e, ainda, Los Aparittions foram os principais responsáveis pelo surgimento da cena roqueira no país.

Na Nueva Ola, uma espécie de Jovem Guarda local, com orientação mais pop, destacaram-se intérpretes e grupos como Luis Dimas, Danny Chilean, Alan Y Sus Bates (que regravou ‘O Leão Está Solto Nas Ruas’/’Un Leon Escapo De Su Jaula’, de Rossini Pinto), Miguel Zabaleta Y Topsys, Buddy Richard, e a cantora Cecilia.

Ainda, no campo do rock merecem registro os grupos Los Beat 4, Los Sonnys, Los Larks (que rivalizam com Los Jockers, ao estilo Stones x Beatles), Los Psicodélicos, Los Blops e Congresso, que variavam seu repertório entre o som beat, a psicodelia e composições com acento regional.

Outro grupo chileno de grande importância é Kissing Spell, que gravou o disco ‘Los Pajaros’, em 1970, com um raro trabalho de guitarras, vocais em inglês, hoje integrando a listas de álbuns raros da psicodelia mundial, com recente reedição em cd, e inclusão de uma faixa na coletânea ‘Love, Peace & Poetry’.

O rock peruano nasceu em 1957, com um registro do grupo Los Millonarios del Jazz, tem como marco inicial da cena o disco de estréia do grupo Los Incas Modernos, mas o “pai” do rock nacional é o grupo Los Saicos, a mais radical banda de garagem da América do Sul, que gravou apenas seis compactos, em espanhol.

Depois disso, já com a entrada da beatlemania em cena, o rock peruano ganhou novos atores, como Los Jaguars (instrumental), Los Shain’s, Los Doltons, Los Silvertons, Los Yorks e Los Belking’s, também instrumental), que tomaram de assalto o mercado musical do país, deixando excelentes compactos e álbuns gravados.

São clássicos da primeira fase do rock peruano os singles de Los Saicos, especialmente ‘Demolicion’, os tr6es discos de Los Shain’s, os primeiros álbuns de Los Yorks (‘Los York’s 67’ e ‘Los York’s 68’) – clássicos da psicodelia latina, ‘De Vacaciones’ com Los Doltons (com versões para ‘O Caderninho’, de Erasmo Carlos, e ‘Parem Tudo’, de Leno & Lilian) e os álbuns dos Belkings.

Com o surgimento da psicodelia, outros grupos despontam por volta de 1968, em especial Traffic Sound, com seus dois primeiros e clássicos álbuns – ‘A Bailar Go Go’e ‘Virgin’ - Los Golden Star, Los Mads e (St. Thomas) Pepper Smelter (cujo primeiro e único álbum chegou a sair no Brasil), Los Sideral’s, e ainda, Los Pasteles Verdes (pop) e Los Holy’s (instrumental).

Mais para o final da década, grupos com o Laghonia, o mais genial de todos, e El Humo, entre outros, produziram ótimos discos de piscodelia, ao mesmo tempo em que outros como El Alamo e Cacique seguem o mesmo caminho, e El Opio e El Ayllu introduzem elementos latinos, com influência de Santana e outros grupos americanos.

Na virada dos anos setenta, a fusão do som beat/psicodélico e o nascente hard rock resultou em bandas como We All Togheter (ex-Laghonia, e fortemente influenciado por Beatles/McCartney), Telegraph Ave., Pax (que gravou o primeiro disco de hard rock do Peru), Tarkus e El Polen, o primeiro grupo a mesclar psicodelia e música andina.

Também influenciada pelo rock and roll mexicano, especialmente de Los Teen Tops, a cena roqueira sessentista da Venezuela afirmou-se com o pioneiro Los Impalas, o primeiro grande grupo do país. Seguindo os passos de Los Impalas, também destacaram-se Los Supersonicos, Los Dangers, Los Claners e, mais tarde, Los Darts e Los 007, entre outros.

Já no início dos anos setenta, integravam a cena roqueira venezuelana os grupos e intérpretes Tsee Mud, Pan, La Cuarta Calle, Sky White Meditation, Una Luz, La Fe Perdida, El Nucleo X de Gerry Weil, Pastel de Gente, Le Zigui e Syma. Em 1969, o grupo Ladies W.C., lançou um raro álbum, com sonoridade psicodélica e letras em inglês, atualmente reeditado em vinil.

Já a cena roqueira colombiana é uma das menos conhecidas de toda a América Latina. Um dos pioneiros e dos mais destacados grupos foi Los Flippers, em meados dos anos sessenta. Também integraram a cena beat-garagem os grupos Los Speakers, Ampex, Los 4 Crickets, Los Monkees, Opus, e Los Yetis.

Um dos grupos mais emblemáticos da cena colombiana foi Los Young Beats, com visual e repertório orientado para o beat e para a garagem, que gravou o discos ‘Ellos Estan Cambiando Los Tempos’, com versões e covers de Rolling Stones, Kinks e Them. Já na segunda fase do rock, influenciada pela psicodelia e pelo hard rock, destacaram-se os grupos Opus e Genesis, entre outros.

Ainda menos conhecida, a cena paraguaia dos anos sessenta talvez tenha sido a que mais sofreu com a censura ditatorial, no caso do general Alfredo Stroessner, que “governou” de 1954 a 1989. Os dois principais “sobreviventes” foram os grupos Aftermads e Los Blue Caps, que gravou dois discos – ‘Dejame Mirate, em 1969, e ‘Cuando te Miro’, en 1970, sem reedição em vinil ou digital.

* Litto Arbex é colaborador e Fernando Rosa é editor de Senhor F.

Discografia (até 1970)

Argentina

Los Gatos Salvajes - Los Gatos Salvajes
Los Gatos - Los Gatos
Los Gatos - Volumen 2
Los Gatos - Seremos Amigos
Los Gatos - Beat # 1
Los Gatos - Rock de La Mujer Perdida
Almendra - Almendra (1969)
Manal – Manal
Moris - Treinta Minutos de Vida

Peru

Los Saicos – Compactos
Los Doltons – De Vacaciones con …< Los Silverton’s – La Vuelta
Los Belking’s - El Sonido de Los Belking’s
Los Shain’s - Docena Tres
Los York’s - York’s 68
Los Holy’s - Sueno Psicodelico
The (St.Thomas) Pepper Smelter - Soul and Pepper
Laghonia – Glue
Traffic Sound - A Bailar Go Go

Uruguai

Los Shakers - Los Shakers
Los Shakers - Shakers For You
Los Shakers - La Conferencia Secreta del Toto’s Bar
Los Mockers - Los Mockers

Chile

Los Beat 4 - Juegos Proibidos
Los Jockers - En La Onda
Los Vidrios Quebrados – Fictions
Los Sicodélicos - Los Sicodélicos
Los Mac’s - Kaleidoscope Men
Kissing Spell - Los Pajaros

Colômbia

Los Yetis - Colombia a Go Go
Los Flipper – Psycodelicyas
Los Young Beats - Ellos Están Cambiando Los Tiempos
Los Speakers - En El Mundo Maravilloso Mundo de Ingeson

Venezuela

Los Darts - Volume 2
Los Impala - Estos Son …
Ladies W.C. - Ladies W. C.