Arquivo de Dezembro de 2007
Textos (post) admin em 31 Dez 2007
Aguardem o endereço para acesso em formato “streaming”
Nesta semana, divulgaremos aqui o link para audição em formato “streaming” do programa Senhor F Sem Fronteira. O programa estréia na próxima segunda-feira, às 22 horas, na Rádio Câmara, da Câmara dos Deputados do Brasil.
Textos (post) admin em 30 Dez 2007
Dia 7, na Rádio Câmara, estréia Senhor F Sem Fronteira
Senhor F estréia um novo programa neste próximo dia 7 de janeiro, na Rádio Câmara, da Câmara dos Deputados, do Congresso Nacional brasileiro. Chamado “Senhor F Sem Fronteira”, o programa é voltado para o rock e para a música independente da América Latina. Com uma hora de duração, às segundas-feiras, 22 horas de Brasília, o programa tem produção e apresentação do editor de Senhor F, Fernando Rosa. O programa também terá versão “streaming” para audição no site da rádio.
O programa inaugura a série de atividades comemorativas dos 10 anos da revista Senhor F, criada em 1998. Nesse período, Senhor F apostou no regaste da “história secreta” do rock brasileiro, “redescobrindo” discos, personagens, cenas regionais e outras curiosidades. Em milhares de textos, a revista tratou de temas como a fase psicodélica de Ronnie Von, a garagem brasileira dos anos sessenta, a cena pós-tropicalista de Recife nos anos setenta, a biografia completa dos Mutantes e o guitarrista Lanny Gordin, entre outros.
Ao mesmo tempo, a revista acompanhou a construção de cena independente, os festivais e a história das bandas alternativas das mais diferentes regiões. O programa de rádio “A História Secreta do Rock Brasileiro”, na Usina do Som, da Editora Abril, entre 2000 e 2001, também contribuiu nesse processo de resgate histórico e valorização das novas gerações. Desde sua origem, Senhor F também deu atenção ao rock sulamericano que, agora, com processo de integração regional, ganha mais peso editorial. Recentemente, a seção ‘Senhor F Virtual”, editou uma coletânea especial contendo a história do rock peruano de 1964 até hoje.
No playlist do primeiro programa “Senhor F Sem Fronteira” estão clássicos, raridades da história do rock da região e atualidades da cena atual. Entre os destaques estão Pequeña Orquesta Reicidentes, em versão para “Panis et Circensis”, original dos Mutantes, Los Saicos, Los Gatos e Los Shakers. Outros artistas presentes no primeiro “playlist” são Turbopótamos (Peru), Andres Calamaro (Argentina) e Juana Molina, também argentina. As demais edições incluirão artistas e bandas de todos os países de língua espanhola, incluindo Espanha e México.
O programa está sintonizado com a tendência de integração registrada atualmente na América do Sul, do que é exemplo a recente criação do Parlamento do Mercosul. “A integração para ser profunda, verdadeira e vibrante deve também avançar no terreno cultural, onde a música tem uma grande destaque por seu potencial de comunicação imediata”, diz Fernando Rosa.
Playlist do programa 001
01 – PEQUEÑA ORQUESTA REINCIDENTES – PANIS ET CIRCENSIS
02 – TURBOPÓTAMOS – NO ME METO
03 – LOS PORONGAS – LEGO DE PALAVRAS
04 – ANDRES CALAMARO – NO TAN BUENOS AIRES
05 – ANDRES CALAMARO – ELVIS ESTA VIVO
06 – LOS GATOS – AYER NOMÁS
07 – LOS SHAKERS – BREAK IT ALL
08 – LOS SAICOS – DEMOLICIÓN
09 – GEPE – NAMÁS
10 – JUANA MOLINA – RIO SECO
11 – SUPERGUIDIS – MAIS UM DIA DE CÃO
12 – EL MATO A UN POLICIA MOTORIZADO – AMIGO PIEDRA
13 – ASTROBOY – BURBUJA
14 – RUBIN & LOS SUBTITULADOS – EL GENIO DE LA SOLEDAD
Playlist do programa 002
1 – JAIME CUADRA – CHOLO SOY
2 – PESCADO RABIOSO – TODAS LAS HOJAS SON DEL VIENTO
3 – PATRÍCIO REY Y SUS REDONDITOS DE RICOTA – DIVINA FUHRER
4 – SUPERSÓNICOS – DR. ROMERO
5 – AUTORAMAS – HOTEL CERVANTES
6 - SUPERSÓNICOS & AUTORAMAS - MÁQUINA
7 – LOS YORK’S – ABRAZAME BABY
8 – LAGHONIA – GLUE
9 – LOS TEEN TOPS – BUEN ROCK ESTA NOCHE
10 – THE BROKEN TOYS – TU PAPI NO SABE
11 – VASELINA – DESTINONEGRO
12 – BETO SÓ – O TEMPO CONTRA NÓS
13 – NACHO VEGAS – TODOS ELLOS
14 – LOS RODRIGUEZ – SIN DOCUMENTOS
15 – RESIDUAL ECHOES – A MINHA MENINA
Artigos admin em 30 Dez 2007
Origem e história do rock na América Latina
* Litto Arbex/Fernando Rosa
A história do rock sulamericano não difere muito da registrada nas demais partes do mundo, apesar de ter suas particularidades e curiosidades, a começar pela suas primeiras e principais influências. A primeira delas deve-se ao fato da totalidade de seus países, exceto o Brasil, falar espanhol, o que fez com o rock mexicano tivesse um peso inicial maior em sua formação.
Outras diferenças estão no campo social e político, especialmente, por conta das sucessivas ditaduras e golpes militares que se abateram sobre o continente sulamericano nas décadas de sessenta e setenta, com reflexos sobre as manifestações culturais em geral e sobre o rock em particular, resultando em repressão, censura e, mesmo, perseguição aos músicos.
Nascido nos Estados Unidos, o rock dos anos cinqüenta foi “traduzido” do outro lado da fronteira, por grupos como Los Teens Tops, Los Locos del Ritmo, Los Holigans e Los Ovnis, entre outros. O mais importante e influente deles foi Los Teen Tops, criado em 1959, e que manteve-se na ativa até 1962, gravando principalmente versões em espanhol de clássicos do rock and roll tradicional.
Antes disco, a também mexicana Gloria Rios gravou ‘El Relojito’, em 1956, enquanto no Peru, Los Millonarios del Jazz lançavam ‘Rock With Us (Rock’n'Roll)’ um ano depois. No Brasil, Nora Ney, antes ainda, em 1955, também fez seu cover para ‘Rock Around The Clock’, considerado o primeiro rock gravado no país. Ainda entre os pionerisos está o argentino Billy Cafaro, com ‘Marcianita’. Já no Chile, Peter Rock imitava Elvis Presley país afora.
A história o rock argentino é uma das mais interessantes de todos os países da América Latina, especialmente pelo fato de afirmar-se, desde o início, com formato musical próprio e letras em espanhol, desenvolvido especialmente pelos grupos Los Gatos (antes Los Gatos Salvajes), Manal e Almendra – uma espécie de pilar estrutural do rock argentino.
Apesar de Mr. Roll Y Sus Rockers e Billy Cafaro, entre outros, terem introduzido o novo gênero musical no país ainda nos anos cinqüenta, as primeiras manifestações gravadas com características sessentistas só ocorreram em 1965, com o lançamento de ‘Los Gatos Salvajes’, com os próprios, de ‘Liverpool At B.A.’, com The Seasons, e, ainda, um ano depois, de ‘Rebelde/No finjás Más’, compacto com o grupo Los Beatniks.
A partir de então, em novos compactos, em shows de televisão e, especialmente, a partir da casa de espetáculos ‘La Cueva’, antes apenas dedicada ao jazz, os grupos de música beat foram conquistando espaço, até afirmar-se definitivamente com o lançamento do primeiro lp de Los Gatos, liderado por Litto Nebia, ‘Los Gatos’, em 1967, um dos clássicos da discografia roqueira latina.
Depois, em 1968, vieram Manal, na linha dos “power trio” de blues, também oriundo dos palcos da ‘La Cueva’, que gravou seu primeiro lp homônimo somente em 1970, Almendra, banda liderada por Luiz Alberto Spinetta, com sua música refinada, arranjos vocais elaborados e poética sensível e criativa, e, ainda, Vox Dei, autor do álbum ‘La Biblia’, clássico do som psicodélico/progressivo mundial.
Em 1969, é criado o selo ‘Mandioca Underground’, que lança um primeiro lp reunindo vários grupos e intérpretes, fortalecendo a divulgação mais ampla e dirigida da produção roqueira local, antes dificultada pelas pressões e preconceitos das grandes gravadoras, avessas ao experimentalismo dos novos grupos.
Além dos grupos já citados, outras bandas e intérpretes destacaram-se nos anos sessenta e início dos setenta, dentre eles Arco Iris, La Confradía de La Flor Solar, Billy Bond Y La Pesada Del Rock and Roll (que depois veio para o Brasil), Ramsés VII (Tanguito), Alma Y Vida, o ex-Beatniks Moris, El Reloj, Sacramento e Ricardo Soulé.
A história do rock uruguaio dos anos sessenta, por sua vez, está diretamente ligada ao grupo Los Shakers, dos irmãos Hugo (que, no Brasil, tocou com Tom Jobim e Milton Nascimento) e Osvaldo Fattoruso, que foi, ao lado do australiano Easybeats, um dos melhores representantes do estilo Beatles de toda a geração.
Nascido em 1964, o grupo contribuiu decisivamente para a afirmação de uma cena local, bem como para o desenvolvimento do rock em toda a América Latina. Com o single ‘Break It All)’/’More’, de Los Shakers, o rock uruguaio apontou um caminho de qualidade, criatividade e inventividade, além da mera cópia existente na maioria dos países.
Além dos Shakers, o grupo Los Mockers também destacou-se na história do rock uruguaio dos anos sessenta, cantando em inglês, e fazendo o gênero Rolling Stones, com composições próprias e alguns covers, com destaque para ‘Paint it Black’. Seu único disco, com alguns singles de bônus-track foi relançado em cd pelo selo americano Get Hip.
O rock uruguaio destacou-se, ainda, pela qualidade de seus grupos da fase psicodélica, que misturando elementos de hard rock e progressivo, produziu grupos como Genesis, Psiglo, Opus Alfa, Dias de Blues, Tótem, El Kinto e El Sindykato, autores de discos clássicos que conquistaram o reconhecimento mundial, alguns com reedição em cd.
Alguns grupos, especialmente Tótem, liderado por Rubén Rada - em atividade até hoje, produziram uma fantástica mistura de ritmos regionais, principalmente o camdombe, de origem negra, jazz e rock à la Carlos Santana, com um resultado sonoro ainda atual e que, posteriormente, serviu de exemplo para novos mix sonoros nos demais países sulamericanos.
Outros grupos e intérpretes que integraram a cena do rock uruguaio foram Los Bulldogs, liderados pelo cantor Kano, Los Delfines, Los Killers, Los Moonlights, Hojas e Dino, que deixaram vários lps e compactos gravados entre 1967 e 1973, ano em que o golpe militar interrompeu a carreira da maioria dos grupos, afastando grande parte dos músicos do país.
O rock uruguaio, entre outras coisas, também deu à discografia mundial do rock um de seus clássicos, o álbum ‘La Conferência Secreta del Toto’s Bar’, de Los Shakers, espécie de Sgt. Pepper’s latino americano, que figura nas listas dos grandes discos dos anos sessenta. Gravado em 1967, o disco só foi lançado um ano após, quando o grupo já havia encerrado sua carreira.
O rock chileno dos anos sessenta, dividido surgiu dividido entre entre la Nueva Ola e o rock tradicional, como em outros países, teve como seus expoentes os grupos Los Mac’s (que gravou uma espécie de ‘Their Satanic Majesties Request’ regional), Los Jockers, Los Vidrios Quebrados, Los High Bass/Los Jaivas e ainda, os ultrapsicodélicos Aguaturbia, que formaram a base do rock nacional.
A banda Los Jockers, com seu primeiro disco ‘En La Onda de Los Jockers’, inteiramente de covers radicais, que inclui ‘Wild Thing’ (Troggs), ‘Satisfaction’ (Rolling Stones) e ‘Little Girl’ (Them), gravado em 1966, junto com Los Vidrios Quebrados e seu lp Fictions, de 1967, e, ainda, Los Aparittions foram os principais responsáveis pelo surgimento da cena roqueira no país.
Na Nueva Ola, uma espécie de Jovem Guarda local, com orientação mais pop, destacaram-se intérpretes e grupos como Luis Dimas, Danny Chilean, Alan Y Sus Bates (que regravou ‘O Leão Está Solto Nas Ruas’/’Un Leon Escapo De Su Jaula’, de Rossini Pinto), Miguel Zabaleta Y Topsys, Buddy Richard, e a cantora Cecilia.
Ainda, no campo do rock merecem registro os grupos Los Beat 4, Los Sonnys, Los Larks (que rivalizam com Los Jockers, ao estilo Stones x Beatles), Los Psicodélicos, Los Blops e Congresso, que variavam seu repertório entre o som beat, a psicodelia e composições com acento regional.
Outro grupo chileno de grande importância é Kissing Spell, que gravou o disco ‘Los Pajaros’, em 1970, com um raro trabalho de guitarras, vocais em inglês, hoje integrando a listas de álbuns raros da psicodelia mundial, com recente reedição em cd, e inclusão de uma faixa na coletânea ‘Love, Peace & Poetry’.
O rock peruano nasceu em 1957, com um registro do grupo Los Millonarios del Jazz, tem como marco inicial da cena o disco de estréia do grupo Los Incas Modernos, mas o “pai” do rock nacional é o grupo Los Saicos, a mais radical banda de garagem da América do Sul, que gravou apenas seis compactos, em espanhol.
Depois disso, já com a entrada da beatlemania em cena, o rock peruano ganhou novos atores, como Los Jaguars (instrumental), Los Shain’s, Los Doltons, Los Silvertons, Los Yorks e Los Belking’s, também instrumental), que tomaram de assalto o mercado musical do país, deixando excelentes compactos e álbuns gravados.
São clássicos da primeira fase do rock peruano os singles de Los Saicos, especialmente ‘Demolicion’, os tr6es discos de Los Shain’s, os primeiros álbuns de Los Yorks (‘Los York’s 67’ e ‘Los York’s 68’) – clássicos da psicodelia latina, ‘De Vacaciones’ com Los Doltons (com versões para ‘O Caderninho’, de Erasmo Carlos, e ‘Parem Tudo’, de Leno & Lilian) e os álbuns dos Belkings.
Com o surgimento da psicodelia, outros grupos despontam por volta de 1968, em especial Traffic Sound, com seus dois primeiros e clássicos álbuns – ‘A Bailar Go Go’e ‘Virgin’ - Los Golden Star, Los Mads e (St. Thomas) Pepper Smelter (cujo primeiro e único álbum chegou a sair no Brasil), Los Sideral’s, e ainda, Los Pasteles Verdes (pop) e Los Holy’s (instrumental).
Mais para o final da década, grupos com o Laghonia, o mais genial de todos, e El Humo, entre outros, produziram ótimos discos de piscodelia, ao mesmo tempo em que outros como El Alamo e Cacique seguem o mesmo caminho, e El Opio e El Ayllu introduzem elementos latinos, com influência de Santana e outros grupos americanos.
Na virada dos anos setenta, a fusão do som beat/psicodélico e o nascente hard rock resultou em bandas como We All Togheter (ex-Laghonia, e fortemente influenciado por Beatles/McCartney), Telegraph Ave., Pax (que gravou o primeiro disco de hard rock do Peru), Tarkus e El Polen, o primeiro grupo a mesclar psicodelia e música andina.
Também influenciada pelo rock and roll mexicano, especialmente de Los Teen Tops, a cena roqueira sessentista da Venezuela afirmou-se com o pioneiro Los Impalas, o primeiro grande grupo do país. Seguindo os passos de Los Impalas, também destacaram-se Los Supersonicos, Los Dangers, Los Claners e, mais tarde, Los Darts e Los 007, entre outros.
Já no início dos anos setenta, integravam a cena roqueira venezuelana os grupos e intérpretes Tsee Mud, Pan, La Cuarta Calle, Sky White Meditation, Una Luz, La Fe Perdida, El Nucleo X de Gerry Weil, Pastel de Gente, Le Zigui e Syma. Em 1969, o grupo Ladies W.C., lançou um raro álbum, com sonoridade psicodélica e letras em inglês, atualmente reeditado em vinil.
Já a cena roqueira colombiana é uma das menos conhecidas de toda a América Latina. Um dos pioneiros e dos mais destacados grupos foi Los Flippers, em meados dos anos sessenta. Também integraram a cena beat-garagem os grupos Los Speakers, Ampex, Los 4 Crickets, Los Monkees, Opus, e Los Yetis.
Um dos grupos mais emblemáticos da cena colombiana foi Los Young Beats, com visual e repertório orientado para o beat e para a garagem, que gravou o discos ‘Ellos Estan Cambiando Los Tempos’, com versões e covers de Rolling Stones, Kinks e Them. Já na segunda fase do rock, influenciada pela psicodelia e pelo hard rock, destacaram-se os grupos Opus e Genesis, entre outros.
Ainda menos conhecida, a cena paraguaia dos anos sessenta talvez tenha sido a que mais sofreu com a censura ditatorial, no caso do general Alfredo Stroessner, que “governou” de 1954 a 1989. Os dois principais “sobreviventes” foram os grupos Aftermads e Los Blue Caps, que gravou dois discos – ‘Dejame Mirate, em 1969, e ‘Cuando te Miro’, en 1970, sem reedição em vinil ou digital.
* Litto Arbex é colaborador e Fernando Rosa é editor de Senhor F.
Discografia (até 1970)
Argentina
Los Gatos Salvajes - Los Gatos Salvajes
Los Gatos - Los Gatos
Los Gatos - Volumen 2
Los Gatos - Seremos Amigos
Los Gatos - Beat # 1
Los Gatos - Rock de La Mujer Perdida
Almendra - Almendra (1969)
Manal – Manal
Moris - Treinta Minutos de Vida
Peru
Los Saicos – Compactos
Los Doltons – De Vacaciones con …< Los Silverton’s – La Vuelta
Los Belking’s - El Sonido de Los Belking’s
Los Shain’s - Docena Tres
Los York’s - York’s 68
Los Holy’s - Sueno Psicodelico
The (St.Thomas) Pepper Smelter - Soul and Pepper
Laghonia – Glue
Traffic Sound - A Bailar Go Go
Uruguai
Los Shakers - Los Shakers
Los Shakers - Shakers For You
Los Shakers - La Conferencia Secreta del Toto’s Bar
Los Mockers - Los Mockers
Chile
Los Beat 4 - Juegos Proibidos
Los Jockers - En La Onda
Los Vidrios Quebrados – Fictions
Los Sicodélicos - Los Sicodélicos
Los Mac’s - Kaleidoscope Men
Kissing Spell - Los Pajaros
Colômbia
Los Yetis - Colombia a Go Go
Los Flipper – Psycodelicyas
Los Young Beats - Ellos Están Cambiando Los Tiempos
Los Speakers - En El Mundo Maravilloso Mundo de Ingeson
Venezuela
Los Darts - Volume 2
Los Impala - Estos Son …
Ladies W.C. - Ladies W. C.
Entrevistas admin em 30 Dez 2007
Senhor F, dez anos de aposta na integração sulamericana
Fernando Rosa, uno de los dueños del sello, revista y agencia de noticias Senhor F, habla con Super 45 sobre el mercado independiente brasilero y sobre el futuro de la música en este país. Fanático del rock hispano, Fernando quiere conocer bandas y ayudar en el intercambio cultural. En su sitio hay siempre reseñas de discos de Argentina, Uruguay o Perú y editó en Brasil al argentino Sebastian Rubin. Como si esto fuera poco, tiene planes de hacer un compilado latino para editar en su pais. (Agência Senhor F)
Super 45 - Cuándo surgió Señor F Discos?
Fernando Rosa - La idea surgió en el segundo semestre de 2004, pero recién se concretó en el inicio del 2005, con el lanzamiento del compilado “Clásicos de la Noche Señor F”. “Noche Señor F” es un evento que se realiza hasta hoy en Brasilia y por donde pasaron la mayoría de las bandas independientes, algunas, inclusive hoy más grandes, como Cachorro Grande. El compilado reunía a los principales artistas y bandas que se habían presentado en el evento, desde noviembre de 2001 hasta mediados de 2004. El evento continua funcionando de manera excelente, promovido por la revista y agencia Señor F, una publicación online dedicada a la escena independiente brasilera y -en menor medida- sudamericana. El sello es una sociedad entre Philippe Seabra, propietario del Estudio Daybreak, guitarrista de la clásica banda punk brasilera, Plebe Rude y yo, Fernando Rosa, periodista y editor de la revista & agencia Señor F.
Super 45 - Cuántos discos han editado?
Fernando Rosa - Por el momento hemos editado nueve discos. El último es el segundo álbum de la banda “gaucha” (apelativo de los nativos del estado brasileño de Rio Grande Do Sul) Superguidis. Además será editado en simultáneo en Brasil y Argentina en sociedad con el sello argentino Scatter Records. En el mes pasado, lanzamos el disco de la banda Los Porongas, del estado de Acre, extremo norte de Brasil en la región amazónica. Antes, habíamos editado los discos de las bandas Volver (Pernambuco), Stereoscope, de Belem (Pará), del songwriter Beto Só, de Brasilia, un disco en vivo de la legendaria banda Graforreira Xilarmónica, de Porto Alegre (Rio Grande do Sul) y además otro compilado, “Tercera Ola” solamente de bandas de Brasilia. Ahora estamos preparando los lanzamientos de los segundos discos de Volver y de Beto Só y un compilado, esta vez con bandas de la región norte de Brasil.
Super 45 - Cuál es criterio para tener un disco editado por Señor F Discos?
Fernando Rosa - En principio, nuestro criterio era lanzar bandas nuevas y sus primeros discos. Eso nos llevó a editar bandas de las regiones más distantes y extrañas del país, fuera de los grandes centros urbanos. Las cuatro bandas (Volver, Superguidis, StereoScope y Los Porongas) también coinciden en que son de la generación 2003, año en que surgieron o lanzaron sus primeros demos. Para la selección, también tenemos en cuenta que la banda tenga un buen repertorio y que el show sea atractivo. También consideramos que haya disposición y compromiso de las bandas de trabajar en un espíritu cooperativo, con el objetivo de construir un nuevo camino en la divulgación y la construcción de sus carreras, fuera de los límites del deteriorado mainstream, que a nuestro modo de ver no tiene futuro para quien apuesta a producir buena música. Creemos que considerando las diferencias de cada banda, todas ellas poseen esas características. En menos de dos años nos volvimos un sello con reconocimiento nacional, con bandas y discos reconocidos por la prensa especializada. El disco debut de Supergudis fue escogido el “mejor disco de 2006″ por el sitio web Trama Virtual, el más importante espacio de divulgación online de la música independiente brasileña. La banda Los Porongas acaba de ser invitada por el centro cultural Itau Cultural para grabar un dvd especial, con toda la infraestructura ofrecida por ellos. El primer disco de la banda Volver fue elegido como uno de los mejores del año en España, por sites especializados en “power pop”.
Super 45 - Cuál es el medio de divulgación que escoge para su sello?
Fernando Rosa - Apostamos a todas las formas posibles, por que consideramos que vivimos en un momento de transición. Claro que internet acaba adquiriendo un peso mayor, por la fuerza de penetración en el público más joven. Pero tenemos revistas importantes como la tradicional Bizz y Rolling Stone, que acaba de entrar en Brasil, a quienes dedicamos atención y ellos le dedican espacios importantes al sello. La revista Bizz, por ejemplo, incluyó a la banda Superguidis en una de las notas sobre las principales bandas nuevas del mundo y también dio dos páginas para Los Porongas, cuando ellos ni siquiera tenían disco. O sea, como tenemos poco dinero, apostamos a la calidad de las bandas, de los productos que editamos, y también a las relaciones construidas junto a la escena independiente brasileña.
Super 45 - Cuántas personal trabajan en Senor F Discos?
Fernando Rosa - Somos tres personas dedicadas tiempo completo. El productor Phillipe Seabra, una persona que realiza trabajo administrativo y yo. Pero en realidad tenemos varias actividades tercerizadas. Nos hacemos cargo de la grabación, la producción, la divulgación y el acompañamiento de las carreras de las bandas, que incluye la estrategia de marketing, la agenda de shows y las decisiones en el terreno artístico. La mezcla y la masterización es hecha por Gustavo y Thomaz Dreher, de los Estudios Dreher, de Porto Alegre, responsable de la grabación de grandes lanzamientos de la escena independiente desde los años noventa. Ya en la parte gráfica, que incluye la creación y producción de tapas y arte, es André Ramos el responsable por todas las tapas del sello. La distribución es hecha por nuestros distribuidores Alvo, ligada al sello Monstro Discos, de Goiânia, y Tratore con sede en San Pablo, responsable de la distribución nacional.
Super 45 - Cómo está el mercado actual de discos independientes en Brasil? ¿Señor F Discos tiene una estrategia diferenciada para la venta de sus artistas?
Fernando Rosa - La venta de los discos está en baja, tanto en el mainstream como en los lanzamientos independientes. Partimos de tiradas iniciales de 1.000 copias. De nuestra parte, invertimos inicialmente en la divulgación del artista, para en un segundo momento tener un retorno con entradas en los shows y también la venta de los cds. Existen dos situaciones que llevan a esto, como debe ocurrir en Argentina y Chile, y buena parte del mundo: 1) los donwload hechos por los jóvenes, especialmente los que oyen rock; 2) la piratería que abastece a las poblaciones más pobres a precios baratos. La banda Superguidis, llegó a vender 2.000 discos en poco más de un año y llegó a más de 20.000 discos en bajadas. Pero, por otro lado, es la banda que más rápidamente creció en la escena independiente, siendo invitada para la mayoría de los festivales importantes, como Porao do Rock, MADA, Goiânia Noise, Demo Sul, Calango y Ruíd, entre otros. Y como resultado de esa exposición, también comenzaron a surgir invitaciones para el circuito de rock más popular. O sea, con el mercado de la industria discográfica en crisis, con las radios cerradas en sus “top 40″ por la exigencia del pago para la difusión, es preciso construir nuevas alternativas.
Super 45 - Cuál es su opinión sobre la piratería? ¿La venta de discos disminuyó?
Fernando Rosa - Estoy en contra, por principio estético y por respeto a los derechos de los artistas. Pero, considerando el precio abusivo de los cds cobrados por la industria discográfica, no repruebo la reacción de las personas que bajan sus discos por internet. Aquí en Brasil, ahora inventaron el “CD-Zero”, con apenas 5 tracks, a un precio cercano a los R$10 reales, lo que no pasa de un intento para frenar la caida de ventas. Más allá de eso, en el mercado independiente creo que nunca se vendieron tantos discos como se venden ahora. Contribuye el hecho de que la música nunca tuvo un ambiente tan democrático como el actual y con tantas facilidades para grabar y lanzar discos. Creo que vivimos un momento de transición, pero también de construcción de un nuevo tipo de mercado, tal vez algo parecido al mercado independiente norteamericano, donde las bandas sobreviven de su trabajo. En Brasil, ya construimos una plataforma de festivales independientes, unidos en una asociación llamada ABRAFIN (Asociación Brasileña de Festivales Independientes), que ya reúne a 30 festivales en todas las regiones del país. La apertura al rock por parte de las nuevas salas y los debates en las radios públicas acerca de ampliar su programación a las producciones independientes también suma. Para tener una idea de esas nuevas posibilidades, Petrobras, en asociación con el Ministerio de Cultura, acaba de anunciar una presupuesto de 2,5 millones de reales para apoyar los festivales independientes.
Super 45 - Cómo funciona el single virtual? ¿Harán alguna vez un compilado de estos singles en formato cd?
Fernando Rosa - El single virtual es una iniciativa de la revista y agencia, con supervisión de Señor F Discos. Pero es algo diferente, en el grado de vinculación, de los lanzamientos de Señor F Discos. En el caso de Señor F Discos las bandas pasaron a integrar el casting del sello en todo sentido, sea artístico, comercial o gerencial. En el caso del sello digital, existe apenas una relación editorial entre los artistas, la agencia y revista. Las bandas entran con el material, música, artes, etc, y nosotros con la distribución gratuita. Creemos que ambos ganamos con la iniciativa: las bandas con la exposición en una publicación con amplio tráfico en la escena independiente y credibilidad con el periodismo especializado, y nosotros con la posibilidad de ofrecer sin costos adicionales, un producto de calidad a nuestros lectores. La asociación nos ha dado excelentes resultados y el espacio es bastante visitado. Señor F Virtual es el primer sello virtual de Brasil volcado exclusivo a la escena independiente. Ya llegamos al trigésimo sexto lanzamiento, entre los cuales se encuentran dos extranjeros, las bandas Fantasmagoría de Argentina y Astroboy de Uruguay. Recientemente iniciamos una serie volcadas para lanzamientos binacionales, llamados “Señor F Sin Frontera” que ya editó dos Eps de las bandas Volver & Octubre (España) y Snooze & The Winnerys (también de España).
Super 45 - Cómo puede hacer una banda para formar parte del single virtual?
Fernando Rosa - No tenemos un criterio tan exclusivo como en el sello. Pero, claro, que los bandas necesitan entrar en sintonía con la línea editorial de la revista. Por lo tanto, lo que vale, más que un estilo, es la creatividad y la calidad de la obra. En otros casos, también vale la importancia del trabajo para la escena o la región. En general, es una vía de doble mano, tanto por que nosotros invitamos a las bandas a lanzar los singles, como las bandas nos buscan. Raros fueron los casos donde no hubo una confluencia en esos caminos.
Super 45 - Cree en otro tipo de formato de audio que no sea el cd?
Fernando Rosa - Empecé escuchando discos de vinilos, después pasé al cd y ahora existen varias posibilidades para oír música desde la computadora, el ipod y otros tipos de tecnologías. Pienso que la música va acabar en el celular, en las cuentas bancarias y en los despertadores (risas…) Todo eso linkeado en la red, online… Lo que creo será una revolución bienvenida pues significa la democratización del acceso a la música. El problema será la calidad, artística y sonora, de lo que se escuchará. Ahora, creo que todos los formatos, cds y vinilos, permanecerán en mayor o menor escala y destinados a un público consumidor más selecto o exigente.
Super 45 - Cuál es el futuro de la música para uds?
Fernando Rosa - Como dije antes, nunca se produjo, consumió y oyó tanta música como hoy en día. Creo que eso apunta a un futuro en que la música, así como en otras manifestaciones artísticas humanas, serán totalmente libres. Hasta los años cincuentas, para grabar un disco, se dependía de las grandes grabadoras, con sus estudios, productores, arregladores, músicos contratados, compositores y letristas. Con el adviento del rock and roll esa lógica fue quebrada y los grupos, tal vez acaso por definición pasaron a ocuparse prácticamente de todas esas tareas. Aun en los ochenta, grabar un disco era algo que pasaba necesariamente por las grandes industrias discográficas. Hoy en día, eso ya es pasado, debido a las nuevas tecnologías de grabación y las facilidades de divulgación por medio de Internet. O sea, aún que la gran industria intente apropiarse de los nuevos medios de divulgación, estas conquistas son irreversibles. Desde ahí, pienso que el futuro de la música -en verdad el presente- pasa por esos espacios, por construir un mercado independiente de música de calidad y en establecer nuevas relaciones entre el arte y los artistas, y entre los artistas y el público. Vivimos tiempos de una “amarga sinfonía de superstar”, como dice el nombre del segundo disco de la citada banda Superguidis y el florecimiento de nuevos modelos de relación en el mundo de la música.
Super 45 - Cuál es el disco que hubieses querido editar?
Fernando Rosa - “Revolver” de los Beatles no vale. El primer sinlge de Elvis Presley, por Sun Records, tampoco. Bien, por el momento, hoy creo que sería “You’re Living All Over Me” el segundo disco de Dinosaur Jr. O quien sabe algo de El Mató un Policia Motorizado… que además de ser una gran banda tiene un nombre que le da un brillo especial a cualquier catálogo.
* Entrevista originalmente publicada no site Super 45, do Chile, em meados de 2006.